SEJAM BEM-VINDOS AO PENSAR TEOLÓGICO

TODO O MATERIAL DO BLOG ENCONTRA-SE DO LADO DIREITO DA PÁGINA NO ÍCONE ``ARQUIVOS DO BLOG´´. NELE VOCE ENCONTRARÁ O ANO, O MÊS E O TÍTULO DA POSTAGEM QUE VOCE DESEJA LER.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Exegese de Efésios 5:22-33

22 Vós, mulheres, submetei-vos a vossos maridos, como ao Senhor; 23 porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o Salvador do corpo. 24 Mas, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres o sejam em tudo a seus maridos. 25 Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, 26 a fim de a santificar, tendo-a purificado com a lavagem da água, pela palavra, 27 para apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. 28 Assim devem os maridos amar a suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. 29 Pois nunca ninguém aborreceu a sua própria carne, antes a nutre e preza, como também Cristo à igreja; 30 porque somos membros do seu corpo. 31 Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne. 32 Grande é este mistério, mas eu falo em referência a Cristo e à igreja. 33 Todavia também vós, cada um de per si, assim ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie a seu marido.

Esboço de Efésios 5:22-33

1. A conduta das esposas — 5.22-24
1.1. Sujeição, não escravatura
1.2. Dignidade, não igualdade
1.3. Sujeição no Senhor
2. A conduta dos maridos — 5.25,26
2.1. Um amor doador — v. 25
2.2. Um amor protetor — v. 26
3. A conduta de Cristo para com a Igreja — 5.26-30
3.1. Requer purificação da Igreja — v. 26
3.2. Requer preparação da Igreja — v. 27
3.3. Requer uma esposa sem defeitos — v. 27
3.4. Dedica total amor à Igreja — vv. 28-30
4. A conduta do crente em relação ao matrimônio — 5.31-33
4.1. A origem do matrimônio — v. 31
4.2. A analogia do matrimônio — v. 32
4.3. As responsabilidades inerentes ao matrimônio — v. 33

A presente pesquisa deve ser colocada sob o princípio da submissão, conforme está implícito em Efésios 5.21: "Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus". Esse princípio põe em destaque a autoridade de Deus sobre as coisas criadas. A relação entre marido e esposa está debaixo desse princípio de autoridade e sujeição. A esposa submete-se ao marido, como ao Senhor; o marido, por sua vez, ama a esposa e submete-se ao Senhor. A autoridade do marido não é independente, mas é sujeita à autoridade divina. Da mesma forma, os filhos sujeitam-se à autoridade dos pais no temor do Senhor.
1. A CONDUTA DAS ESPOSAS — 5.22-24
"Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Se¬nhor" (v. 22).
1.1. Sujeição, não escravatura
A sujeição das esposas a seus maridos tem um novo sentido no Novo Testamento, visto que no Antigo Testamento havia maior restrição às mulheres em relação aos seus direitos. Foi no Novo Testamento que se deu nova dimensão aos privilégios femininos, mui especialmente às mulheres casadas. A sujeição das esposas não significa escravidão, pelo contrário, dignifica sua posição na sociedade por causa de Cristo.
1.2. Dignidade, não igualdade
A Bíblia define a posição da mulher em relação ao homem e a coloca não em superioridade, mas em certa posição inferior ao homem. Não há posição de igualdade entre ambos. E uma ques¬tão bíblica e divina. Entretanto, a Bíblia não diminui o valor moral e espiritual da mulher, mas coloca-a no seu devido lugar. Deus não dá o direito ao homem de desrespeitar a sua mulher nem de desmerecê-la.
A sujeição das esposas deve ser espontânea, porque é uma sujeição baseada no amor e no temor do Senhor. O apóstolo diz que a sujeição deve ser "como ao Senhor".
1.3. Sujeição no Senhor
Essa sujeição não é cega, mas consciente. O apóstolo Paulo, ao falar do assunto na carta aos Colossenses 3.18, diz às casadas: "... estai sujeitas a vossos próprios maridos, como convém ao Senhor". O final da frase explica o tipo de sujeição das casadas a seus maridos — "como convém no Senhor". A sujeição da mu¬lher ao marido tem um sentido espiritual. Na criação, o homem foi feito cabeça da mulher, isto é, o líder da família, mas essa sujeição da mulher não anula a sua personalidade.

2. A CONDUTA DOS MARIDOS — 5.25-30

É baseada na mesma regra exposta no texto, quando fala de Cristo e sua Igreja. O amor é a expressão máxima desse relacionamento. O senhorio do esposo sobre a esposa não é o mesmo de senhor e escravo. O senhorio dele baseia-se na autoridade que lhe é própria e que lhe foi dada desde a criação da mulher. O amor do marido pela esposa pode ser comparado ao amor de Cristo pela sua Igreja (2 Co 11.2,3; Ap 19.7; 21.2). Esse amor é manifesto no plano espiritual. O modelo desse amor é Cristo, que amou de tal forma a sua esposa que deu sua vida por ela. A frase no grego é a seguinte: ``hoi Andres agapáte tas ginaíkas´´ maridos, amai vossas esposas. Note que o verbo amar aqui no texto de Efésios, não é o verbo ``eros ´´, (eros representa a parte consciente do amor que uma pessoa sente por outra. É o amor que se liga de forma mais clara à atração física, e freqüentemente compele as pessoas a manterem um relacionamento amoroso continuado, um tipo de sentimento baseado unicamente pela atração física. Nesse sentido também é sinônimo de relação sexual). Mas sim, o verbo `` agapáo´´. Essa palavra demonstra um sentimento tão profundo a ponto de uma pessoa se sacrificar pelo objeto amado. Quando Jesus pergunta a Pedro: tu me amas? Jesus usa o verbo agapáo. Pedro responde: `` hoti Philo se´´, (tu sabes que eu gosto de ti). Pedro usa o verbo ``fileo´´, (verbo gostar). Ou seja, reconstruindo o diálogo fazendo uso do texto original, ficaria assim: Pedro, tu me amas com o amor de quem morre pelo abjeto amado? E Pedro responde: tu sabes Senhor que eu gosto de ti como um colega. Agapáo é o amor que se compromete, que se doa pelo objeto amado. Fileo é o sentimento que não se compromete, é apenas algo fraternal, coleguismo. Paulo ensina que o marido deve exercer o mesmo amor que Cristo expressou pela igreja, quando morreu por ela na cruz. É um amor que se sacrifica, que se humilha, que não mede esforços pelo bem estar da pessoa amada. O verbo agapáo está no imperativo presente ativo. Paulo está dando uma ordem, não uma opção aos maridos. O tempo verbal indica que o marido deve se sacrificar hoje, deve se sacrificar amanhã, e depois, e depois e depois... um eterno imperativo.

2.1. Um amor doador — v. 25
"[...] como também Cristo amou a igreja". Cristo é o modelo do amor que o marido deve oferecer à esposa — um amor capaz de dar de si mesmo. A continuação do versículo — "[...] e a si mesmo se entregou por ela" — fala de um amor destituído de egoísmo; amor que é capaz de dar sua vida em sacrifício por ela.
2.2. Um amor protetor — v. 26
"[...] para a santificar" implica numa atitude de proteção, tomar a iniciativa de separar para si e não permitir que coisas estranhas a toquem. Santificar é separar e proteger dos perigos. A Igreja é representada como esposa.
2.3. Requer purificação da esposa — v. 26
"[...] purificando-a com a lavagem da água". Esse texto possui uma linguagem figurada. A lavagem com água fala de limpeza espiritual. Todo o contexto aponta claramente que a ênfase é o relacionamento marido e mulher, no qual, Cristo é o paradigma.
É interessante notar que no verso 26-27, Paulo usa uma linguagem importada do Antigo Testamento. É uma linguagem sacerdotal aqui no texto de Efésios 5. Quando os sacerdotes entravam no átrio do Tabernáculo, eles tinham que se purificar se lavando na bacia de bronze. Só assim, podiam começar seu ofício sacerdotal. Eles tinham que se santificar e purificar. Isso para poder comparecerem diante de Deus como mediadores, e assim apresentar o pecador e sua sacrifício a Deus. Sem essa santificação e lavagem, eles não podiam oferecer sacrifício pelos pecados das pessoas que chegavam até eles. Assim, Paulo usa o verbo ``apresentar´´. Esse verbo é muito comum em Levítico quando fala que os sacerdotes deveriam se apresentar diante de Deus. Deve ser lembrado que os sacerdotes sabiam que os sacrifícios apresentados diante de Deus por eles, devia ser perfeito, sem mácula, os animais deviam ser sem defeito. Caso contrário, Deus não aceitaria tal oferta, como o fez com a de Caim.
O que Paulo estaria ensinando com essa linguagem sacerdotal do Antigo Testamento? Todo o contexto leva a concluir que o marido como sacerdote da sua família, ele é um representante de Deus pra família. O marido é responsável pelo Crescimento espiritual da sua esposa, e deve ter consciência que prestará contas a Deus do seu crescimento espiritual. Antes do pastor, o maior professor de Bíblia da esposa, dever ser seu marido.

2.4. Dedica total amor à esposa — Vs. 28,29
Temos aqui a repetição da virtude que envolve a conduta dos maridos em relação às esposas, que é o amor: "Assim devem os maridos amar a suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos" (v. 28). A analogia é feita pelo apóstolo para mostrar que Cristo ama a seu próprio corpo — a Igreja; da mesma forma, deve o marido amar a sua esposa: como ama a seu próprio corpo.
O versículo 29 dá continuidade ao 28, mostrando que "nin¬guém aborrece a sua própria carne", isto é, não a maltrata, mas zela e cuida dela. Assim também o marido deve amar sua esposa, porque cumpre naturalmente um princípio da criação, que é "e serão uma só carne" (v. 31). Semelhantemente, Cristo ama a sua Igreja porque ela tornou-se seu próprio corpo, conforme está escrito: "porque somos membros do seu corpo" (v. 30).

3. A CONDUTA DO CRENTE EM RELAÇÃO AO MATRIMÔNIO (5.31-33)

3.1. A origem do matrimônio — v. 31
"Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe". Essa parte do texto indica a origem do matrimônio no princípio da criação. Deus criou o homem e o colocou no Éden. Vendo que o homem estava só, resolveu criar-lhe uma adjutora, então criou Eva. Capacitou a ambos para a reprodução, originando, assim, o matri¬mônio (Gn 2.24). Paulo fez a citação de Gênesis 2.24 para forta-lecer seu ensino e argumentação. Ele ensinou acerca do plano de Deus para o casamento fazendo uma analogia entre Cristo e a Igreja, enfocando o relacionamento espiritual entre ambos. A o verbo grego ``kataleípsei´´ é o equivalente hebraico `` ya`ªzav, que no português foi traduzido por ``deixará´´. Mas esse verbo é muito forte. Sempre que Deus ordenava que os filhos de Israel abandonassem os ídolos, ele usava o verbo ``ya`ªzav´´. Essa palavra significa abandono total. O homem deve abandonar a sua antiga família e compor uma nova. Muitos casamentos são afetados pela falta de compreensão desse princípio. Sempre que um dos cônjuges ainda está preso a sua família e ainda vive como se fosse solteiro, em dependência dos pais, o casamento entra em crise. Paulo usando o texto de Gênesis ensina que deve haver esse abandono.
Em relação ao casamento, Paulo refutava com veemência o pecado da poligamia, prática muito comum na vida paga de seu século. Haveria membros da igreja que teriam mais de uma mu¬lher, mas essa situação não podia ser mantida no seio da comuni¬dade cristã em Éfeso. A promiscuidade tinha de ser combatida e o plano original divino do casamento precisava ser fortalecido. Observe como o texto se apresenta a seguir: "... e se unirá à sua mulher" — não a duas ou três, mas apenas a uma, para que os dois formem um só corpo, uma só carne. O verbo unir no grego ``proskolletésetai´´, que vem do hebraico ``Davoq´´, expressa uma verdade preciosa. O verbo Davoq significa ``grudar com cola´´, é uma união tão forte que não tem como haver uma separação sem ruptura das partes grudadas. É como a comparação das folhas de papel que são coladas, e depois alguém resolve separá-las, ela percebe que uma folha fica presa na outra com na tentativa de separação. O verbo davoq é usado constantemente no Antigo testamento para expressar união das partes do corpo, ou seja, partes que por natureza não podem ser separadas. Interessante como Paulo usa duas partes para ilustrar o relacionamento do homem e da mulher. O marido é cabeça, e a esposa é o corpo. É como se Paulo perguntasse de forma indireta: ``existe a possibilidade de separar o corpo da cabeça sem que aja sangramento, dor e morte do corpo?
Portanto, depois desta pesquisa analítico-exegética, concluo que separação é inaceitável na ótica divina, Deus odeia o divórcio. O casamento é sustentado não pelo sentimento e sim pela aliança, quando um casal se separa, estão quebrando a aliança e agridem a benevolência de Deus. Várias pessoas brincam de se casar, se separam, casam-se outra vez e não percebem que cada vez que isso acontece, elas levam uma parte da outra pessoa com essa separação (como na ilustração do papel). A cabeça não pode ser separada do corpo, jamais!

3.2. A analogia do matrimônio — v. 32
A analogia do matrimônio é espiritual. E o mistério da união entre Cristo e a Igreja. Ela está sendo preparada para o marido, que é Cristo. Essa linguagem não deve ser interpretada de forma literal, mas figuradamente. E a figura da comunhão, da lealdade e do amor entre ambos. Cristo ama sua Igreja, como o marido deve amar sua esposa. Quando Paulo diz: "Grande é este mistério", é o mesmo que dizer: "Grande é a revelação oferecida aqui" (1 Tm 3.16).

3.3. As responsabilidades inerentes ao matrimônio — v. 33

"[...] ame sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido". A responsabilidade matrimonial é mútua, mas o apóstolo coloca cada um dos cônjuges nos seus devidos lugares. Ao marido é ordenado o amor legítimo e total à mulher; a ela, o respeito devido ao marido. As palavras "amor" e "reve¬rência" tomam lugar no matrimônio como sendo a essência das responsabilidades inerentes ao casamento. O amor do marido deve ter sentido amplo, isto é, não só físico, mas também espiritu¬al e moral. A "reverência" da mulher ao marido diz respeito à submissão amorável e espontânea. Reverenciar não significa ado¬rar o marido como se fosse Deus, nem submeter-se a ele com subserviência, mas com o sentido de respeito e reconhecimento de sua autoridade como chefe espiritual e material da família. O marido que ama sua esposa como ama seu próprio corpo jamais terá uma conduta escravizadora e humilhante para com ela, mas agirá com dignidade e amor.

6 comentários:

  1. Erick, ficou perfeita a exegese.
    parabéns!!!
    Quero dar apenas uma dica para o Blog,
    que a cor da fonte e o fundo sejam trocados, pois a leitura se torna cansativa com esse contraste de cores. No mais o blog está perfeito!
    Graça e Paz.

    ResponderExcluir
  2. Olá, onde estão as referências bibliográficas de sua exegese? Gostaria de ter acesso a elas, por favor.

    Claudia.

    ResponderExcluir
  3. Oi sou a Mary
    Amei teu blog e o que li....parabéns
    abraços

    ResponderExcluir
  4. Desculpe... mas nao vi exegese no texto. Exegese é trazer o original do grego e seu significado. Bom a palavra usada como sujeição no grego qual é? qual o sentido? o significava no contexto da época? e hoje... o que é sujeitar-se a...sem essas informações é impossível fazer exegese.

    ResponderExcluir
  5. Comentário bíblico de Efésios - Elienai Cabral
    Você deve citar a fonte.
    Esse texto não é seu.

    ResponderExcluir
  6. Devemos dar crédito a quem de direito. O amado irmão deveria ter citado a fonte de sua pesquisa. Também não deveria ter usado o termo "exegese", pois o estudo apresentado não é uma exegese.

    ResponderExcluir